Sargento-mor Bento do Amaral da Silva
Nascimento: 1647
Origem: Rio de Janeiro, RJ

Nasceu em 1647, no Rio de Janeiro, RJ. Foi batizado no dia 3 de Abril de 1647, no Rio de Janeiro.

Foi o segundo dentre os sete filhos do Coronel José Nunes da Silva e de Mécia de Arão do Amaral Gurgel.

 

 

Bento era descendente da "nobre família dos Amaral Gurgel, da Capitania do Rio de Janeiro, onde sua distinção e nobreza são assaz conhecidas". Apesar dos "nobres ancestrais", por seus atos e estilo de vida, foi sempre, mais do que qualquer outro, a verdadeira ovelha negra da família.

Bento foi promovido ao posto de Sargento-mor na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1687, ainda no Rio de Janeiro, foi um dos participantes do episódio que culminou com o assassinato de Pedro de Sousa Pereira, provedor da Fazenda Real.

Em 22 de Março de 1691, o governador do Rio de Janeiro escreveu uma carta a El-Rei de Portugal, acusando Bento e seu irmão Francisco de cometerem assaltos à mão armada em fazendas do recôncavo fluminense. Em 18 de Outubro do mesmo ano, em devassa aberta acerca destes fatos, o conselheiro João de Sepúlveda e Mattos deu seu parecer final, julgando-o culpado das acusações.

 

Casou-se, por volta de 1694, em São Paulo, com Escholástica de Godoy Moreira, filha de Antonio de Godoy Moreira e de Anna de Lima e Moraes. Após a morte de Bento (em 1719), Escholástica casou-se pela segunda vez, com José Pinto Coelho de Mesquita. Escholástica faleceu em 1725.

 

 

O gênio inquieto de Bento não tardou a fazer com que se envolvesse nos motins ocasionados pela alteração da moeda. Colhido em uma terceira devassa, foi obrigado a fugir para Minas Gerais.

Em 1697, seu sogro foi buscá-lo, acompanhado pelo governador do Rio de Janeiro, Arthur de Sá e Menezes. Nesta ocasião, tais serviços prestou à Coroa, que El-Rei agradeceu-lhe em carta de 20 de Outubro de 1698.

Escudado assim pelo sogro, em 1703, Bento estabeleceu-se na região das minas de Caeté, "no princípio da grandeza e fertilidade de seu descobrimento", onde adquiriu lavras auríferas e tornou-se um cidadão opulento.

Em 8 de Janeiro de 1706, o guarda-mor das minas, Garcia Rodrigues Paes Leme, escreveu uma carta ao Conde de Alvor, em que relatava que Bento e seus irmãos eram indivíduos "temerosos".

Finalmente, com o que obteve nas minas, Bento "recolheu-se em São Paulo, SP, com grosso cabedal, que soube empregar em fazendas de cultura". Sua fazenda situava-se no Sítio de Emboaçava, estendendo-se entre as margens do Rio Tietê e do Rio Pinheiros.

Era pessoa "de grande tratamento" e sua casa era servida com "numerosa escravatura, criados mulatos, todos calçados, bons cavalos de estrebaria com ricos jaezes, excelentes móveis de prata e ouro, sendo avultadas as baixelas de prata, cuja copa foi de muitas arrobas".

Em 17 de Setembro de 1708, o desembargador João Saraiva de Carvalho nomeou-o Ouvidor interino da Capitania de São Paulo. O Rei de Portugal, entretanto, em carta de 3 de Abril de 1709, recomendou ao governador Antonio de Albuquerque que o destituísse por ser "homem criminoso e, como tal, foragido para aquela capitania". O governador ignorou a denúncia do crime, mas acatou a recomendação real, afastando-o do cargo.

Em 1710, Bento foi um dos líderes da resistência à invasão francesa no Rio de Janeiro.

Em 25 de Novembro de 1715, Dom Brás Balthazar da Silveira nomeou-o mais uma vez Ouvidor-geral da Capitania de São Paulo. Advertido novamente pela corte portuguesa, Bento foi afastado do cargo; mas ainda desta vez não chegou a ser submetido a julgamento.

Quando Bento faleceu, era considerado um dos homens mais ricos de seu tempo.

 

Bento faleceu em 21 de Junho de 1719.

Foi pai de seis filhos e cinco filhas:

1.1. José do Amaral Gurgel, casado em 1730, em Itu, SP, com Escholástica de Arruda Leite Ferraz, filha do Capitão Pedro Dias Leite e de sua segunda esposa, Antonia de Arruda e Sá.

1.2. Antonio Serafim do Amaral, casado com [...]. Sem filhos.

1.3. Francisco do Amaral Gurgel. Francisco faleceu em 27 de Abril de 1760, em São Paulo, SP. Solteiro.

1.4. Guilherme do Amaral da Silva, casado em 1732, em São Paulo, com Escholástica da Silva Missel, nascida em 1698, viúva de Álvaro Netto Bicudo, e filha de Antonio Pacheco Missel e de Maria Blanca da Silva. Escholástica faleceu em 1737, em Santana do Parnaíba.

 

 

Guilherme morava em sua fazenda às margens do Rio Tietê, próximo a Piracicaba.

 

1.5. Bento do Amaral Gurgel. Bento faleceu solteiro.

1.6. João do Amaral. João faleceu em 1727. Solteiro.

1.7. Anna Maria Gurgel do Amaral, nascida em 1703. Casou-se em 30 de Janeiro de 1719, em São Paulo, SP, com o Capitão Ignácio Dias da Silva, filho do Brigadeiro Domingos Dias da Silva (um dos líderes paulistas na Guerra dos Emboabas) e de Leonor de Siqueira. Ignácio faleceu em 1722, e Anna Maria faleceu em 1779.

1.8. Mécia Gurgel do Amaral, casada com o licenciado Manoel Bezerra Cavalcante, nascido em Olinda, PE, filho de Miguel Bezerra de Vasconcellos e de Brígida de Figueirôa. Manoel faleceu em 1784, em Itu.

1.9. Escholástica do Amaral, casada com Paulo Carlos de França. Escholástica faleceu nas minas do Maranhão, na Capitania de Goiás, onde tinha ido morar com seu marido.

1.10. Isidora do Amaral, casada com José dos Reis Ribeiro, filho de Antonio Gonçalves Ribeiro e de Maria Leme da Silva. Isidora faleceu em 1749.

1.11. Ignácia do Amaral Gurgel, casada com o Mestre-de-campo Aleixo Leme da Silva, viúvo de Isabel Pereira de Faro, e filho de Manoel Delgado da Silva e de Úrsula da Cunha Pinto. Após a morte de Ignácia, Aleixo casou-se pela terceira vez com Maria Pedroso da Silva, viúva de Manoel da Silva Leme, filha de Antonio Rodovalho e de Felipa de Barros Freire. Aleixo faleceu em 1746, em Mogi das Cruzes, SP, e teve filhos apenas de seu primeiro casamento.

 

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