Nasceu por volta de 1440, na cidade de Bruges, no reino de Flandres (atualmente na Bélgica).
Jobst é também chamado de Jan, Job, Jobs, Jobsten, Jobster, Jos, Joz, Joos, Jooz, Joss, Josse, Jost, Jose, Joze, Jusse, Jodocus, Jacob, João, Jorge, Von, Heurter, Huerter, Huertere, Hürter, Hurtere, Huerta, Huter, Hutter, Hutra, Ultra, d’Ultra, Dultra, Utre, Utra, d’Utra e Dutra.
Filho do flamengo Leonard Van Huerter e de [...].
Jobst era um fidalgo flamengo, Senhor de Moerkerken e de Haegenbrouc.
Em 1466, o rei de Portugal, Dom Affonso V, concedeu a Jobst Van Huerter autorização para povoar a Ilha de Faial no Arquipélago dos Açores. A ilha era então habitada por alguns poucos colonos portugueses. Van Huerter, sendo um flamengo de posses, levou consigo outros quinze compatriotas, entre os quais seus irmãos, Balduíno, Antonio e Jossina d’Utra, e seu primo, Jorge da Terra (Josse van Aard). Seu objetivo imediato era a procura de filões de prata e de estanho, que se dizia existirem na ilha. Embora não tenha encontrado o que procurava, Jobst entusiasmou-se com a natureza local e com a fertilidade de seu solo. Permaneceu na ilha por um ano.
Em 21 de Fevereiro de 1468, com a intercessão da Duquesa de Borgonha, filha do rei Dom João I, Van Huerter obteve a “Carta de Doação” de primeiro capitão-donatário da Ilha de Faial. O documento lhe deu o direito de trazer mais colonos de Flandres, que se fixaram na Lomba dos Frades (atual Praia do Almoxarife). Por causa da falta de água, mudaram-se para um pequeno vale no interior, onde nasceu a Freguesia dos Flamengos. Para ter acesso a um porto, um grupo foi deslocado para o litoral, onde Van Huerter construiu seu solar, na área da vila nova conhecida como Porto Pim (que significa Porto Seguro em flamengo). Ali, fundam a vila de Horta, cujo nome deriva de seu donatário, Huerter. Junto à sua casa, o Capitão ergueu a primeira igreja da ilha, dedicada à Nossa Senhora das Angústias.
Em 1474, para diminuir a influência flamenga na ilha, foram enviados mais colonos portugueses.
Em 29 de Dezembro de 1482, a Ilha de Pico foi incorporada à capitania de Jobst Van Huerter. Nesta época, seu sobrenome já havia se aportuguesado para d’Utra.
Em 15 de Outubro de 1484, recebeu o título de Cavaleiro da Casa do Duque de Viseu.
Em 1490, já havia cerca de mil e quinhentos colonos flamengos na próspera comunidade da ilha do Faial. Sua principal atividade era a cultura do pastel, planta que fornecia a cor azulada que era bastante utilizada pelos tintureiros da Flandres e que garantiu o rápido crescimento econômico da Ilha. As primeiras sementes de pastel foram levadas por Jobst Van Huerter.
Casou-se em 1466, na Ermida de Santa Cruz, na vila de Horta, na Ilha do Faial, no Arquipélago dos Açores, com a portuguesa Beatriz de Macedo, filha de Jerônimo Fernandes e de [...].
Jobst faleceu em 1495, na Ilha do Faial, e foi sepultado na Ermida de Santa Cruz.
Foi pai de três filhos e quatro filhas:
1.1. Joss d’Utra, nascido em 6 de Abril de 1489. Casou-se com Isabel Corte Real, filha de João Vaz da Costa Corte Real e de Maria Abarca. Joss faleceu por volta de 1549.
Joss foi senhor de Moerkerke.
1.2. Nuno de Macedo, casado com F... Botelho.
1.3. Rosa de Macedo, casada com Domingos Homem, filho de Antão Martins Homem e de Isabel Dornellas da Câmara.
1.4. Joanna de Macedo, casada com Henrique de Noronha.
1.5. Isabel d'Utra de Macedo, casada por volta de 1524, na Ilha do Faial, com Francisco da Silveira, nascido por volta de 1499, na ilha do Faial, filho de Wilhelm Van der Haegen (Guilherme da Silveira) e de Margarida de Zabuya (Azambuja). Francisco faleceu por volta de 1595, “em avançada idade”.
1.6. Joanna de Macedo, casada em 1488, com Martin Behaim (Martinho da Boêmia), nascido em 6 de Outubro de 1459, em Nuremberg, filho de Martin Behaim e de Agnes Schopper. Martin faleceu em 29 de Julho de 1507, no Hospital São Bartholomeu, em Lisboa.

Martin Behaim e o primeiro Globo Terrestre (Museu de Nuremberg)
Martin era filho de família abastada, originária da Boêmia, e estabelecida em Nuremberg. Recebeu educação aprimorada, sendo discípulo, do famoso inventor e astrônomo Regiomontano.
Viajou muito como comerciante, e conheceu cidades como Antuérpia, Veneza e Frankfurt. Em 1482, foi a Portugal que nessa época era o centro da navegação do Ocidente.
D. João II, reconhecendo seus méritos, agregou-o à célebre Junta do Astrolábio.
Em 1485, tendo conquistado a confiança do rei, Martin acompanhou o explorador Diogo Cão em sua segunda viagem pela costa da África, atingindo então a foz do rio Congo.
Em 1486, Martin recebeu o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Em Lisboa, Martin conheceu o futuro sogro, o flamengo Jobst van Huerter, donatário da ilha do Faial. Contratou o casamento com sua filha (é o que se supõe pela idade dos noivos, ele 40 e ela 13 anos).
Em 1488, casou-se e mudou para o Arquipélago dos Açores. Teve um filho do mesmo nome.
Em 1490, viajou a Nuremberg para receber a herança de sua falecida mãe.
Em 1492, ainda em sua cidade natal, criou o famoso Globo Terrestre de Nuremberg, o primeiro Globo construído no mundo. Recoberto de pergaminho, medindo 53 cm de diâmetro, foi baseado nos livros de Estrabão, Plínio, Marco Polo e nas descobertas portuguesas na África. Coloca as ilhas açorianas do Faial e Pico sob as armas flamengas da Casa dos Behaim, em razão de serem seus primeiros colonos e donatário de Flandres.
No mesmo ano, retornou a Portugal trazendo a famosa carta do Dr. Hieronimus Munster para D. João II, aconselhando-o à descoberta das Índias viajando pelo Oriente, indicando Martin como o marinheiro ideal para levar a cabo tal projeto. Ao chegar a Lisboa, para sua enorme decepção e mágoa, soube que o amigo Colombo já realizara seu tão acalentado e meditado plano.
1.7. Fernão Vaz de Macedo, casado com Dona Anna Gomes, filha de Gonçalo Vaz Botelho, o Andarilho, e de Margarida Pires Cordeiro.